terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Flores, esperança e otimismo




Flores, Esperança e Otimismo

Estamos no mês de setembro e a Primavera se aproxima.
É a estação onde nossos sentimentos se renovam, assim como as flores que brotam e espalham a sua beleza. Suas cores e seu perfume nos chamam a atenção...
E os bons sentimentos nos contagiam durante as tardes longas e o clima mais ameno. Essa mudança na paisagem pode, se permitirmos, nos levar a uma viagem para dentro de nós mesmos, olhando a vida com mais cuidado.
Assim como a natureza se transforma e busca o equilíbrio após a estação do frio e da seca, também nossa vida deve buscar mudanças.  Esse é o otimismo.
Rubem Alves, em uma de suas reflexões, afirma: " Esperança é o oposto do otimismo.  Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.  A esperança se alimenta de pequenas coisas."
No meio de um mundo com tantas turbulências, não podemos nos deixar brutalizar, nos entristecer e perder a esperança de um mundo melhor.
Nosso mundo interno, nosso refúgio interior deve nos nutrir através da paz que lá habita. 
Não podemos perder as forças que sustentam nossa esperança. 
Não podemos encolher nossos sonhos e limitar nossas expectativas.
Vale ter a certeza que o deserto irá florescer, vale ter a convicção que haverá algo novo, especialmente quando se nota tudo tão árido.....precisamos crer que a vida nos foi dada para a plenitude, devemos buscar meios para que a vida flua e volte a acontecer com qualidade para todos. Temos força para construir novos experiências e buscar novos caminhos.
É fundamental crer e ter fé na vida.
Creio que o otimismo e a esperança devem caminhar de mãos unidas, para que o equilíbrio, a bondade e a solidariedade voltem a fazer parte de nossas vidas.
E nada como a sensação boa de que as flores estão voltando....
                                                                      Maria Tereza Giordan Góes
                                                                         CRP06/19135
                                                                        www.tereza.psc.br



Nosso jeito criativo de ser

Nosso jeito criativo de ser "Em todo adulto espreita uma criança, uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa". Jung. Carl Gustav Jung, criador da Psiclogia Analítica, passou um bom tempo de sua vida estudando o tema da criança interior. Entregou-se à experiência de vivenciar suas antigas brincadeiras infantis e observou que, ao brincar, uma enorme fonte de energia e criatividade era acionada. Nossa criança interior manifesta-se no nosso comportamento através da espontaneidade, da alegria, da curiosidade e da intuição. As crianças são naturalmente curiosas. Começamos a envelhecer quando deixamos de ter curiosidade pela vida. Se já vimos tudo e aprendemos tudo, então estamos velhos. A alegria é o que nos mantém saudavelmente infantis. Cuidar da nossa criança interior é uma forma de celebrar a vida dentro de nós. Quando negligenciamos esta criança interna, adoecemos, tornamo-nos adultos amargos e envelhecidos antes do tempo. O encontro com a criança interior é uma fonte de auto conhecimento que aumenta a auto estima e traz a paz e a alegria - é o resgate da essência do puro amor. Pessoas que se sentem bem no seu dia a dia e acolhem com entusiasmo os que as rodeiam, que evitam as reclamações e dissabores, estão em paz com a sua criança interior. Nossas crianças internas necessitam de cuidados especiais, para que tornem nossos jardins ainda mais floridos, através da sua ingenuidade, alegria de viver, lindas fantasias e muito amor incondicional. Maria Tereza Giordan Góes www.tereza.psc.br CRP 06/19135 www.tereza.psc.br www.artedaescuta.com.br

A mente mente

A mente mente A mente mente quando acredita que o essencial da vida está no passado ou no futuro, mas nunca no instante presente, nunca naquilo que somos e fazemos a cada momento. A mente mente quando acredita que sempre nos falta algo de importante, sem que saibamos o que é o importante e passamos a vida toda nessa busca. A mente mente quando acredita que a realidade existe tal e qual a percebemos, quando na verdade, o que vemos são nossas próprias projeções e percepções, vistas através das nossas lentes. A mente mente quando, através dos nossos desejos, medos, expectativas e opiniões, cria situações ilusórias que nos assustam, nos paralisam e nos levam a atitudes nem sempre adequadas. A mente mente quando acredita que as ilusões que criamos, são verdades absolutas, podendo nos levar a um engano permanente, onde os erros cometidos nem sempre são reparáveis. O melhor antídoto para combater as mentiras da mente e as ilusões é a DES - ILUSÃO. Através da tomada de consciência e da reflexão, nossas lentes sofrerão uma mudança, passarão do olhar externo para um olhar interno, onde não mais se projeta emoções e sentimentos intrusos que só nos levam a dissabores, medos e tristezas. Teremos um maior auto conhecimento e olhares mais sensíveis e atentos a tudo que gira em nosso redor. Maria Tereza Giordan Góes CRP 06/19135 www.tereza.psc.br www.tereza.psc.br www.artedaescuta.com.br

terça-feira, 2 de julho de 2013

Jung e a atitude religiosa

Jung demonstrou um grande interesse pelas questões espirituais e religiosas, e os via como fenômenos psíquicos e não através dos seus conteúdos doutrinários, no tocante a verdade ou validade de afirmações ou dogmas de quaisquer confissões religiosas. "Na medida em que o fenômeno religioso apresenta um aspecto psicológico muito importante, trato o tema dentro de uma perspectiva exclusivamente empírica: limito-me, portanto, a observar os fenômenos e me abstenho de qualquer abordagem metafísica ou filosófica. Não nego a validade de outras abordagens, mas não posso pretender a uma correta aplicação desses critérios."4 Jung percebia que o homem moderno ansiava por restaurar a dimensão espiritual perdida e considerava que muito do sofrimento psíquico que as pessoas padeciam tinha origem na perda da dimensão religiosa de suas vidas. "...há trinta anos minha clientela provém, um pouco, de quase todos os países civilizados do mundo.... De todos os meus pacientes que tinham ultrapassado o meio da vida, isto é, que contavam mais de trinta e cinco anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse o de uma atitude religiosa. Aliás, todos estavam doentes, em última análise, por terem perdido aquilo que as religiões vivas ofereciam em todos os tempos, a seus adeptos, e nenhum se curou sem ter realmente readquirido uma atitude religiosa própria, o que, evidentemente, nada tinha a ver com a questão de confissão ( credo religioso ) ou com a pertença a uma determinada igreja."5 "Como médico e especialista em doenças nervosas e mentais, não tomo como ponto de partida qualquer credo religioso, mas sim a psicologia do homo religiosus, do homem que considera e observa cuidadosamente certos fatores que agem sobre ele e sobre seu estado geral."6 Jung, C.G Psicologia da Religião Oriental e Ocidental 4 - Op.cit. P 2 5 - Op.cit. P 335/336 6 - Op.cit. P 5

O retorno ao Sagrado

Atualmente vivemos a experiência do desencanto. As pessoas estão muito descontentes com os seus representantes políticos, com as relações pessoais efêmeras e desrespeitosas, com a falta de qualidade dos programas de TV, com o aumento da criminalidade e, com muitos outros fatores que estão invadindo com tristeza, violência e insegurança as nossas vidas. Sintomas destes dissabores vêm surgindo, tais como a depressão e os distúrbios físicos, psíquicos e sociais. O homem, em contato constante apenas com o meio externo, tem vivido a experiência do desencanto, da tristeza e do vazio existencial. No entanto, existe todo um mundo melhor acessível à ele: é o mundo da alma, também chamada de psique. É necessário que o homem resgate a comunicação com seu mundo interno, que é o lugar onde habita seu deus interior ou o self, em outras palavras, retomar a espiritualidade. Eis aí um refúgio seguro....onde a fé, o amor, o diálogo e as reflexões estão sempre à disposição. É o contato com o mais profundo e verdadeiro do seu ser, é o contato e o retorno ao Sagrado. É através dessa relação contínua e intensa, que o homem se torna mais humanizado, e passa a caminhar com respeito e fé. É onde o desencanto se transforma na esperança de dias e homens melhores. A experiência da espiritualidade levará o homem, antes afastado de sua essência e de sua testemunha interior, a reformular a relação competitividade x solidariedade, levando-o a um sentido e um significado maiores à sua vida. Algumas práticas podem ajudá-lo neste trabalho, tais como a meditação, a oração, a contemplação e a psicoterapia. Ter a coragem de permanecer em silêncio, ouvindo a voz interior e preenchendo, desta forma os buracos da alma parece que é a tarefa que se faz urgente nos dias de hoje. E, se cada um de nós cumprí-la, poderemos ter de novo o encanto e a alegria em nossas vidas. Maria Tereza Giordan Góes CRP 06/19135

Um caminho para a individuação

Certa vez perguntaram a Jung ( Carl Gustav Jung, criador da Psicologia Analítica) quem era Deus e ele respondeu: “ Eu não conheço Deus, eu sei Deus”. Jung, por ter um pai pastor, tinha uma relação especial com a religião e com as questões da alma. Fundador da Psicologia Analítica, Jung acreditava que a relação com o Sagrado, seria um dos caminhos para a individuação. Penso que Deus é Aquele que vive no coração das pessoas que sonham o mesmo sonho, um sonho que está contido na poesia do Pai Nosso : um mundo de fraternidade, sem misérias, sem vinganças, sem violência. E a violência, a miséria e a vingança só serão resolvidas quando os homens aprenderem a ser mansos. E isso vai exigir uma transformação espiritual. E o que é transformação espiritual? É ter um caso de amor com a vida, com tudo que nos é oferecido por ela...sejam noites escuras e assustadoras ou lindas manhãs banhadas pelo sol....mas um caso de amor com a certeza de que não estamos sós e que cada passo em nossas vidas representa a beleza e a evolução da nossa condição humana. E que apesar de tudo, devemos ser adeptos da filosofia de reverência pela vida. Temos que nos curvar e louvar ao Divino que nos vem de uma forma leve e sublime, mas também de uma forma aterrorizante...não cabe a nós julgar, mas nos cabe uma aceitação plena... E o que significa ter um caso de amor com a vida? É ter olhos capazes de reconhecer o Belo em algum momento, de alguma forma, durante nossa fugaz e efêmera vida. Rubem Alves afirma : “ Reconhecer o Belo é um dom. Experimentá-lo é o mais alto grau de espiritualidade que nós, seres humanos, podemos alcançar. O Belo transforma nosso olhar e nos dá a sensação de integridade. Ele está presente em todas as coisas, na natureza, nas artes, nos seres humanos, nas descobertas permitidas pelo universo, no Divino que se revela...” Creio que o caminho para saber Deus é o caminho da alegria, é a certeza de não estar só, é o caminho do amor incondicional, da gratidão e do louvor. M. Tereza Giordan Góes www.tereza.psc.br

terça-feira, 5 de março de 2013

O não criativo

O    NÃO     CRIATIVO O semestre letivo já começou. Todos, em várias faixas etárias, organizaram seu material escolar, uniformes, mochilas e foram rever seus colegas para colocá-los em dia com as novidades. E o entusiasmo surge, frente ao novo que se inicia. Mas logo a rotina se faz presente: rever o que foi explicado em sala de aula, trabalhos individuais ou em grupo, seminários, provas e as atividades de casa. Aí começam os problemas: as crianças não querem fazer suas lições de casa sozinhas e nem se lembram das explicações dadas em sala de aula;  os adolescentes não lêem o que é cobrado, não se preparam para as provas e começam a faltar às aulas: têm muito sono e não conseguem acordar, ou então, " matam" as aulas com seus amigos e ficam vagando pelas ruas. A escola começa a chamar os pais e cobrar deles uma atitude. Os pais não sabem o que fazer, castigam-no, levam ao psicólogo e até ao psiquiatra, que acaba prescrevendo à essas crianças e adolescentes a " droga da obediência". E é assim que as nossas crianças e adolescentes se iniciam na dependência das drogas. Salvo os casos que realmente necessitam, penso que a medicação anda sendo prescrita no lugar dos limites e da disciplina que deveriam ser colocados desde a mais tenra idade: lugar e horário adequados  para o estudo; TV, som, celular, etc, desligados durante a atividade; supervisão à distância dos pais para não criar dependência.  Estas atitudes adequadas, repetidas inúmeras vezes, passarão a se tornar automáticas ao longo da vida e a criança se tornará então, dependente sim, mas de bons hábitos de estudo e de atitudes. Falar NÃO à um filho quando necessário é o caminho da sua liberdade. É o NÃO criativo, que fará com que ele busque, pense e transforme seu ambiente com criticidade. O SIM, muito mais fácil e cômodo de se colocar à um filho é destrutivo, levando-o a uma insatisfação crônica que nunca tem fim.  A busca pelo prazer imediato passa a ser constante, incluindo os prazeres químicos que já foram iniciados na infância. Portanto, não tenham medo de falar NÃO ao seu filho.  É a melhor parte da educação que você pode lhe dar.   Maria Tereza Giordan Góes    Psicóloga              CRP 06/19135         www.tereza.psc.br

Somos todos dependentes

Somos todos dependentes  Sabemos da epidemia de drogas instalada na sociedade.  É um fato real e inquestionável....e os viciados sofredores estão em número cada vez maior,  formando um exército de zumbis que estão se destruindo, matando e/ou se prostituindo por um prazer momentâneo e passageiro. Mas hoje quero questionar os outros vícios : aqueles que nos levam a repetir determinadas atitudes no dia a dia com nossos familiares, amigos, parceiros e colegas de trabalho. Formamos padrões repetitivos de comportamentos e acreditamos ser esta a única forma de funcionamento no mundo.  Temos a esperança de resultados diferentes, mas repetindo sempre um velho padrão no agir. Tornamo-nos dependentes uns dos outros, formamos laços neuróticos e atuamos sem lucidez nenhuma. E nos instalamos em verdadeiras prisões invisíveis....  Mas, sabemos agir de uma forma diferente? Se sabemos, onde está a coragem para ousar? O medo de uma ação desconhecida nos paralisa, logo, decidimos agir pelo que é familiar, mais confortável e menos assustador.... A dependência em um relacionamento, seja de que ordem for, é uma droga que impede a nossa evolução como ser humano. Ela nos paralisa, impedindo-nos de pensar e transformar nossa forma de atuação no mundo. Então vamos nos tornando cada vez mais dependentes. Passamos a fazer parte de um bando de pessoas que não raciocinam, não questionam, vão seguindo sua caminhada sem ao menos olhar para os lados  para ver o que há de novo. E a auto estima ficando cada vez menor: " não consigo viver sem ele(a)", " preciso muito deste emprego", " não saberia agir diferente"...  Surgem, então,  a submissão, a depreciação, a insegurança e a depressão. Acredito que a melhor forma para se interromper este processo tão pouco criativo é a conscientização, a criticidade, o questionamento e, claro, a coragem para tentar de uma forma diferente e nova. E a indiferença àqueles que irão resistir às suas mudanças......

Velas ao vento

Velas ao vento! Nada como iniciar o ano com a perspectiva da novidade, da surpresa e da sensação de bem estar. E isso está ao nosso alcance, é só querer: transformar o mal pensar em bem pensar, procurando sempre refletir, deixando de agir como seres inconscientes, manipulados e aprisionados pelas amarras que nos são colocadas. " Orai e vigiai " - e o que é a oração senão um bem pensar e o que é o vigiar, senão a reflexão?  E diante de uma mudança no olhar e no pensamento, as descobertas passam a nos surpreender cada vez mais.... Nós não notamos como somos conduzidos pelo pensamento de uma maioria dominante e nem percebemos como passamos a adotar a mesma forma de pensar e de agir desta maioria e que nem sempre nos pertencem. Vamos caminhando pela vida de uma forma que possamos agradar a todos e nem sequer nos perguntamos se aquela é a melhor conduta para nós, se aquilo nos cabe de fato. Ficamos sempre muito preocupados com o julgamento alheio e ocupamos um espaço menor, sem acreditar que temos o direito da prioridade e da liberdade. Aliás, liberdade é o que menos possuímos na medida que priorizamos o outro e nos abandonamos, obedientes e submissos a uma " ordem" estabelecida.  Ficamos aprisionados nos preconceitos, na nossa falsa imagem e na exigência que o outro nos faz. Mas,  se começarmos a exercer o bem pensar com uma reflexão constante, passaremos a nos sentir livres para agir e deixaremos as amarras que nos foram colocadas, para trás. Aí,  então, poderemos ter aquela sensação de bem estar e de liberdade, nos permitindo navegar por mares que nunca ousamos navegar e lançando, com coragem, nossas velas ao vento!                                                                                 www.tereza.psc.br

Adeus 2012

Adeus, 2012! Mais um ano que se vai.....alguns sonhos foram realizados, outros ficarão como projetos para o ano que chega..... Sustos, sobressaltos, medos, assim como alegrias, boas risadas, momentos  descontraídos colorindo a nossa luta diária. Assim é a vida, com altos e baixos, como o monitor cardíaco que se movimenta para cima e para baixo, simbolizando a vida e os nossos bons e maus momentos.   Se o monitor traça uma linha reta, o coração pára , e a nossa vida também..... Bom seria se conseguíssemos olhar para os momentos de baixa como uma boa  oportunidade para o nosso crescimento, nossa evolução. Infelizmente, estamos cada vez mais temerosos da dor, fugindo dela através de medicamentos, de comportamentos compulsivos e de abusos  das drogas em geral.  Não conseguimos ver nada melhor para ocupar este espaço de crescimento              senão o prazer imediato,  o individualismo,  a competição e outras estratégias, sempre  na  intenção de alcançar a independência, o poder e a liberdade, como sinônimos de paz e alívio das dores. Bom seria se nós conseguíssemos entender e aceitar que  em nossas vidas estarão sempre presentes momentos de angústia, de medos, de incertezas, de fracassos e de perdas e que a busca incessante para o alívio da dor será sempre em vão.  Que estes momentos fizeram, fazem e farão parte das nossas vidas enquanto estivermos vivos.... E que a tolerância, o silêncio, a meditação e a oração nos farão aceitá-los e transformá-los em males menores,  inerentes ao ser humano. E que os bons e desejados momentos , sempre que ocorrem, quase nunca são celebrados e reconhecidos, embora eles também façam parte do nosso cotidiano. Penso que este seria um bom projeto para o ano que irá se iniciar: o agradecimento pelos bons e maus momentos que a vida gera, assim como o nosso aprimoramento como humildes seres humanos que prestam reverência à vida, seja ela como for......                                                                               www.tereza.psc.br

O resgate do feminino no mundo

O resgate do feminino no mundo Todos os seres humanos possuem uma porção feminina - anima - e uma porção masculina - animus.  São os arquétipos e fazem parte do nosso inconsciente coletivo. Eles se desenvolvem ou não, dependendo de como se formou a nossa estrutura psíquica e também a partir dos nossos modelos de relacionamentos. Também o poder, enquanto característica do ser humano, faz parte do nosso inconsciente, mas, exercido em sua forma exagerada, torna-se uma dominação e uma patologia. Transforma-se, então, no machismo dentro de uma sociedade patriarcal, sendo exercido de uma forma devastadora. E como consequência, vemos a exclusão  do feminino e da sua naturalidade. O homem não mais se permite integrar a sua anima e nem a mulher, o seu animus. E o resultado é uma total falta de harmonia e sintonia, de uma desumanização  de homens e mulheres, que se encontram totalmente "desalmados". Faz-se necessário o resgate do princípio feminino para os homens e mulheres. Nele se encontra a importância à vida e não ao poder, representa um desafio ao machismo que inclui a dominação, a violência e a marginalização da mulher.  A valorização da ternura, do acolhimento e da não violência passaram a ser considerados supérfluos.  Como sinal desses tempos, podemos observar  a supressão da menstruação, que como marcador biológico, lembra à mulher  a sua condição e a sua importância no mundo. Há a banalização do seu corpo através dos out doors, revistas e jornais, além da opressão no trabalho , a baixa remuneração e a violência contra ela . Tanto homens como mulheres passaram a desvalorizar o feminino que acolhe, que nutre e que humaniza as relações.  E enquanto não houver o resgate deste feminino na humanidade, continuaremos a nos entristecer com a brutalidade nos  noticiários, com os nossos filhos completamente desorientados e com uma sociedade de homens e mulheres sem alma, vivendo um masculino exacerbado e de uma forma polarizada.                                                                                             www.tereza.psc.br

O masculino na vida das nossas crianças

O masculino na vida das nossas crianças Comemorando o dia dos pais, nada melhor que pensar a presença e a importância de um pai na vida dos nossos filhos. Vemos as crianças sendo cuidadas por mulheres: mães, babás e professoras. E notamos que a presença de um ser masculino saudável tem uma importância muito grande deixando,  na falta deste, uma grande lacuna. Idealmente, o feminino é o Ser que acolhe, que nutre e, graças ao seu amor incondicional, tudo permite e tudo aceita. O Ser masculino, por sua vez, é aquele que organiza, impõe limites e que, apesar do seu amor incondicional, exerce a disciplina, trazendo à vida das crianças uma ordem,  diferente do caos materno. O equilíbrio entre estas duas forças, o masculino e o feminino, é que levam  a criança, ao longo do seu desenvolvimento, a obter a segurança necessária para que se torne um ser humano saudável e equilibrado. No entanto, observamos que nem sempre isso ocorre. Vemos mães com tripla jornada de trabalho e pais sempre muito ausentes acreditando que a sua  presença e a sua participação na educação dos filhos é dispensável. Sabemos que a vida é repleta de cobranças, de compromissos e de tarefas a serem cumpridas. Mas sabemos também da importância de cada um: pai e mãe na educação das crianças. Neste mês de homenagem aos pais, quero parabenizar àqueles que sabem de sua missão para com os seus filhos. Há cada vez mais pais interessados e dedicados, cuidando dos seus filhos, alimentando-os, aconselhando-os e educando-os. Sua tarefa é árdua e as preocupações são muitas; mas deixam de lado o papel de "macho ausente "  e vão empurrar o carrinho, trocar as fraldas, fazer as compras ou ainda na madrugada, aguardar seus filhos na saída das baladas. Minha homenagem vai para esses pais dedicados e que tanto amam os seus filhos. Àqueles que se tornam um exemplo e um modelo a imitar.  Àqueles que estarão para sempre na memória dos seus filhos: uma boa e doce lembrança no coração de cada um deles....

Ao mestre, com carinho

Ao mestre, com carinho No primeiro semestre deste ano, tive a honra de receber um convite para ministrar aulas em uma universidade. Orgulhosa com o novo projeto, fiz muitos planos na intenção de dividir com meus alunos  um pouco do conhecimento que eu adquiri nestes anos todos, além de tentar prepará-los para a vida profissional e, quem sabe, pessoal. Começou, então, em minha vida, uma longa caminhada em busca de material interessante, aulas com data show, dinâmicas para movimentar as aulas, vídeos ilustrativos, etc... A biblioteca e o computador tornaram-se meus amigos inseparáveis e, sempre que surgia um tempinho livre, eu me dedicava à pesquisa, procurando novos conhecimentos para transmitir aos meus alunos. Infelizmente, meu entusiasmo teve curta duração : no transcorrer das aulas -que eu imaginava interessantes - por várias vezes eu tive que interromper as atividades para repreendê-los devido às conversas paralelas, aos celulares tocando, às mensagens checadas na Internet, à pressa em assinar a lista de presença e sair da classe. Durante todo um semestre letivo, não houve interesse pelo conteúdo, nem curiosidade pelos novos conhecimentos e nenhum esforço em manter uma postura adequada em sala de aula. E o meu entusiasmo e o prazer de estar com eles foi desaparecendo junto com o semestre, me levando à triste conclusão de que  a experiência só estava me trazendo dissabores. E que  aquele projeto inicial de torná-los seres humanos um pouco melhor preparados para a profissão e para a vida, nunca iria se realizar.  Aí então, esperei terminar o semestre e solicitei o meu desligamento. Reconheço que não tive talento, nem tolerância, nem a força necessária para dar continuidade a esta "empreitada".  Infelizmente, as pessoas não estão mais interessadas em evoluir, em tornarem-se pessoas melhores, as oportunidades surgem, mas passam despercebidas.  Mas, ainda há profissionais empenhados em mostrar as oportunidades: esses professores dedicados e perseverantes que não perdem a esperança. E hoje, presto minha homenagem à esses seres corajosos que enfrentam alunos desinteressados  e desrespeitosos; à esses seres que são mal remunerados e têm tanto trabalho não só em salas de aula, mas também ao preparar e corrigir provas e atividades;  à esses seres que têm que ser verdadeiros "artistas" para manter os alunos atentos.  São criaturas especiais abençoadas por Deus mas totalmente desvalorizadas em sua vocação e em seu conhecimento pela  sociedade. Minha homenagem vai à você, mestre!  Eu o reverencio em seu idealismo e em sua grandeza!  Nossos jovens e crianças necessitam de modelos de dedicação, seriedade, fé e  perseverança, ainda que não se mostrem atentos ou mesmo merecedores de todo esse esforço....                                                                                    www.tereza.psc.br

domingo, 2 de setembro de 2012

Nossas prisões invisíveis

Desde a nossa mais tenra infância e ao longo do nosso desenvolvimento, recebemos mensagens dos nossos pais ou daqueles que cuidam de nós. São mensagens cheias de encorajamento ou de descrédito, de amor ou de desamor. Mensagens que foram recebidas e reproduzidas por eles, totalmente inconscientes, e que chegam à nós nas mais diferentes formas, mas sempre "salvas" em nosso arquivo mental. As crianças não possuem "filtros". Vão recebendo informações e " arquivando em pastas". Famílias com pais centrados e estruturados geram crianças e adultos centrados e estruturados. E o contrário, é verdadeiro. Vejo em minha prática, adolescentes e adultos repetindo padrões neuróticos para confirmar o que está impresso e registrado em seu arquivo mental. - Sou mesmo incapaz de amar e ser amado? - Estou fadado ao fracasso? Sou incompetente? - Não tenho capacidade para cuidar da minha própria vida? E com estas indagações vão caminhando aprisionados, incapazes de romper os padrões que se repetem e que geram sintomas físicos, psíquicos e/ou sociais. Vivem dentro de uma verdadeira prisão invisível, totalmente inconscientes de sua condição. Sabem que algo não está bem, mas não conseguem identificar o motivo de seu sofrimento. E agem de forma a confirmar o que foi dito e esperado deles. Surgem então, a depressão, a adicção, a obesidade, ou seja, a agressividade voltada para si próprio, pois a auto estima está extremamente rebaixada e o sentimento presente é o de menos valia. O caminho para a liberdade criativa e transformadora não é fácil, mas existe e é possível. Sócrates, em 399 a.C. afirmou " conhece-te a ti mesmo". Aquele que questiona e que não aceita o que lhe é imposto; aquele que reflete sobre sua vida; aquele que ousa sair de sua zona de conforto e enfrentar o novo que surge como assustador e desconhecido é capaz de sair desta prisão que o angustia e que o impede de ser feliz. Epicuro, outro filósofo grego, em 341 a.C. afirmava que para se viver bem, é importante ter uma vida analisada. E que a reflexão pode nos levar à consciência dos nossos males. E, conscientes das nossas dores, o próximo passo é a mudança, difícil, sofrida, mas possível. Portanto, acredito que, através de um trabalho interno para a descoberta dos núcleos desconhecidos que norteiam nossas ações e pensamentos, seremos capazes de nos libertar desta prisão invisível, caminhar com mais sabedoria e com maior consciência e lucidez sobre os nossos atos. www.tereza.psc.br

O masculino na vida de nossas crianças

O masculino na vida das nossas crianças Comemorando o dia dos pais, nada melhor que pensar a presença e a importância de um pai na vida dos nossos filhos. Vemos as crianças sendo cuidadas por mulheres: mães, babás e professoras. E notamos que a presença de um ser masculino saudável tem uma importância muito grande deixando, na falta deste, uma grande lacuna. Idealmente, o feminino é o Ser que acolhe, que nutre e, graças ao seu amor incondicional, tudo permite e tudo aceita. O Ser masculino, por sua vez, é aquele que organiza, impõe limites e que, apesar do seu amor incondicional, exerce a disciplina, trazendo à vida das crianças uma ordem, diferente do caos materno. O equilíbrio entre estas duas forças, o masculino e o feminino, é que levam a criança, ao longo do seu desenvolvimento, a obter a segurança necessária para que se torne um ser humano saudável e equilibrado. No entanto, observamos que nem sempre isso ocorre. Vemos mães com tripla jornada de trabalho e pais sempre muito ausentes acreditando que a sua presença e a sua participação na educação dos filhos é dispensável. Sabemos que a vida é repleta de cobranças, de compromissos e de tarefas a serem cumpridas. Mas sabemos também da importância de cada um: pai e mãe na educação das crianças. Neste mês de homenagem aos pais, quero parabenizar àqueles que sabem de sua missão para com os seus filhos. Há cada vez mais pais interessados e dedicados, cuidando dos seus filhos, alimentando-os, aconselhando-os e educando-os. Sua tarefa é árdua e as preocupações são muitas; mas deixam de lado o papel de "macho ausente " e vão empurrar o carrinho, trocar as fraldas, fazer as compras ou ainda na madrugada, aguardar seus filhos na saída das baladas. Minha homenagem vai para esses pais dedicados e que tanto amam os seus filhos. Àqueles que se tornam um exemplo e um modelo a imitar. Àqueles que estarão para sempre na memória dos seus filhos: uma boa e doce lembrança no coração de cada um deles.... www.tereza.psc.br

Ao papai, com amor

Ao papai, com amor Papai, sei que tem sido difícil para você....as preocupações são tantas! Há muitas contas a pagar... há o trabalho a ser realizado e a competição à espreita... a violência e as drogas que ameaçam a segurança da sua família... o cuidado com a sua saúde e com a saúde dos seus queridos.... a sua atenção e seu carinho que são cobrados e esperados por todos... É, pai...realmente você tem que ser grande para conseguir realizar tudo isso, E é por ver o seu esforço, sua dedicação e o seu amor por todos nós que o admiramos cada vez mais! Sabemos que às vezes você teme não conseguir realizar tudo o que se espera de você. Nestes momentos, você sofre calado pois prefere não dividir seus medos, suas limitações e fraquezas com aqueles que o amam. Mas fique certo que todos nós sabemos de suas lutas e imaginamos seus sofrimentos. E é por isso que o amamos, admiramos a sua sabedoria e respeitamos seu silêncio, quando recolhido aos seus pensamentos e preocupações. Nossa homenagem não é só nesse dia dos pais; nossa homenagem é eterna! Ao longo de nossas vidas, veremos em você o modelo de um homem correto, íntegro e em busca constante de evolução e sabedoria; mostrando à nós, seus filhos, aquilo que se espera de um ser humano da melhor qualidade. Você será sempre o nosso herói, com seus erros e acertos, mas um pai real, constante e presente em nossos corações... www.tereza.psc.br

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O REAL X O IDEAL

Todos nós sonhamos enquanto dormimos. Algumas pessoas lembram-se dos seus sonhos com exatidão, outras nem se lembram se sonharam ou não. Freud e Jung, pesquisadores da alma, formularam teorias muito importantes sobre o assunto. E nos mostraram que o simbolismo dos sonhos nos traz questões relevantes sobre as nossas vidas e a forma como estamos conduzindo-a, levando-nos ao conhecimento e à compreensão de aspectos desconhecidos em nós. Este trabalho com os sonhos, é feito por profissionais da área. É uma prática fascinante e aponta para uma riqueza na nossa psique: uma psique que tem a capacidade de criar sonhos que, despertos nunca teríamos imaginação para algo tão surpreendente. Mas também sonhamos enquanto estamos despertos. Temos objetivos de vida e sonhamos em transformá-los em realidade. Lutamos para isso, vivendo de forma a concretizá-los. Mas, e quando não alcançamos esses objetivos? Nos vem a sensação de fracasso e de menos valia em relação ao mundo, além do risco de sintomas físicos ou mentais. A frustração nos leva à procura de médicos e de medicamentos e/ou drogas que nos aliviem e/ou nos anestesiem. Aí então, é preciso parar e pensar: estamos em busca da realização de sonhos “reais” ou “ideais”? A mídia, tanto a TV, quanto as revistas e jornais, apontam para a pessoa perfeita: bem posicionada no trabalho, com um corpo bem delineado; uma família em total harmonia, filhos ajustados e bem resolvidos nos estudos e com os amigos. Um marido romântico, bonito, dedicado, sempre presente e bem humorado e uma linda esposa capaz de uma jornada tripla de trabalho, sempre feliz e pronta para novas realizações. Além dos carros cada vez mais equipados, grandes barcos e casas luxuosas sempre ao alcance de qualquer um de nós. Celulares, eletrônicos de última geração sendo trocados a um espaço de tempo cada vez menor para que não fiquem obsoletos; e nós não queremos nos tornar obsoletos...então a corrida se torna cada vez maior em busca disso tudo e a nossa auto estima vai se tornando cada vez menor.... Observo que a distancia entre o que é “real” e o que é “ideal” está se tornando muito grande. Não valorizamos mais as nossas conquistas pois nos sentimos sempre defasados. E a sensação de vazio e de insatisfação vai crescendo, impedindo- nos de aceitar a nossa realidade e a nossa evolução, no seu ritmo e na sua trajetória particular. E dessa forma, transformamos nossos sonhos despertos em verdadeiros pesadelos que nos aterrorizam de dia e de noite. Sentimo-nos excluídos desta sociedade “ideal” e nem sequer paramos para refletir sobre essa frustrada busca, influenciada pela banalidade e pelo consumo. De que forma poderíamos preencher este vazio existencial? Acredito que podemos transformar nossos sonhos em bons sonhos, desde que eles sejam possíveis e passíveis de realização e não algo ideal e que não faça parte da nossa realidade. Que nos tragam a sensação de leveza e de bem estar, desde que a nossa alma siga um caminho diferente desta sociedade “ideal”, tão valorizada pela grande maioria inconsciente, que valoriza sem reflexão e aceita sem lucidez. www.tereza.psc.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Sombra e a Persona

Desde que concluí meu Curso de Psicologia, há 30 anos, não parei mais de estudar. Descobri o prazer dos livros, dos grupos de discussão e das trocas interessantes com os colegas. Não tem preço o alimento que se recebe dos pensadores, pesquisadores e dos estudiosos em geral... Aprendi, dentro da Psicologia Analítica de C. G. Jung, que todos nós possuímos aspectos positivos e negativos . Esses mesmos aspectos, se reforçados e estimulados podem fazer parte de nossas vidas, sendo eles bons ou maus. Refiro-me a nossa forma de agir frente ao mundo. Aqueles que não recebem nenhum tipo de feed back, nenhum reforço dos que nos rodeiam, ficam armazenados na nossa sombra. Sombra, para Jung é um arquétipo. Todos a possuem, e nela estão contidos nossos conteúdos pouco elaborados, desconhecidos e, portanto, assustadores que carregamos em nossa existência. Na persona, outro arquétipo, estão as ações que recebem reforço da sociedade e que nos fazem sentir que somos aceitos pela mesma. É como eu me apresento à sociedade, como eu imagino que poderei agradar a todos. Ao longo de nossa evolução, deveríamos, segundo Jung, não deixar uma distância muito grande entre estes dois arquétipos, a persona e a sombra. No entanto, observo que está acontecendo exatamente o contrário: a distância entre eles está ficando cada vez maior e os conteúdos passando por um re-significado. Parece que na persona, atualmente, estão os valores que até um tempo atrás eram depositados na sombra, por não primarem pela qualidade: a banalização nas relações, o desrespeito, a falta de cuidado e atenção nos afazeres diários, o desafeto, etc e, na sombra ficou tudo que antigamente era visto como nobre: a honestidade, o respeito ao próximo e à natureza, o trabalho bem feito, as ações amorosas. A lei da Ética - " eu posso, mas não devo", também passou por uma modificação - " eu pago, eu posso, eu vou fazer". E é assim que a humanidade anda vivendo... Felizmente, observo que um bom número de pessoas vêm tentando retomar, ou ao menos questionar os valores que hoje são tão importantes às pessoas. No entanto, a mídia não faz o mínimo esforço para divulgar. Apenas o que é ilegal e/ou imoral e violento, é que recebe audiência nos meios de comunicação. Quero muito acreditar que ainda temos esperança de evolução, e que esse nosso trabalho de " formiguinha" vá se expandindo e mostrando às pessoas um mundo com mais qualidade e amor. E que na sombra e na persona, os antigos conteúdos ocupem o seu lugar... www.tereza.psc.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Cérebro do Adolescente
Considerações
O trabalho abaixo consiste em uma pesquisa sobre estudos conduzidos pelo Dr. Jay Giedd, Daniel Weinberger e Brita Elvevag, no desenvolvimento do cérebro adolescente.
Este estudo me chamou atenção por conter informações concretas sobre este desenvolvimento que eram de meu total desconhecimento.
Para nós, pais de adolescentes, esta pesquisa é útil, pois nos auxilia a entender melhor nossos filhos, ampliando nossa visão sobre eles, para que possamos com muito carinho tentar solucionar os conflitos do dia a dia e a compreender que diante de um mesmo problema, nós adultos e eles adolescentes, por uma questão até física, iremos processar e analisar a mesma situação de maneira diferente. Assim sendo, tenhamos paciência, saibamos dialogar e sejamos ao mesmo tempo firmes, para que estes consigam, mesmo diante de todas as pressões da vida moderna, tomar suas decisões de uma maneira livre e fazer consequentemente boas escolhas.
Para vocês filhos, considero a pesquisa importante e porque não dizer otimista, visto que as conclusões indicam que vocês próprios podem interferir e moldar o seu cérebro até o início da fase adulta. A vocês lanço duas perguntas: Como vcs querem moldar seu cérebro e qual é o resultado final que desejam? Lembro ainda que “o cérebro de vocês não é um produto acabado, como se pensava no passado, mas sim um trabalho em andamento” ( Dr. Jay Giedd).
Ao Poder Público, peço maior austeridade e seriedade no combate a drogas e venda de bebida alcoólica a menores, oferecendo aos jovens ambiente no qual existam oportunidades para crescimento e aprendizado.


Um cérebro adolescente é diferente de um cérebro adulto.
A Neurociência, o estudo científico da biologia cerebral, já revelou que o cérebro passa por mudanças muito significativas ao longo da segunda década de vida.
Pesquisas recentes conduzidas por cientistas do National Institute of Mental Health [Instituto Nacional de Saúde Mental], usando imagens de ressonância magnética (MRI), descobriram que o cérebro adolescente não é um produto já acabado, e sim um trabalho ainda em andamento.
No passado, os cientistas acreditavam que as principais conexões cerebrais estariam concluídas já aos três anos de idade, e que o cérebro estaria plenamente maduro por volta dos 10 ou 12 anos de idade. O Dr. Jay Giedd, do NIMH, relatou que a maturação não cessa aos 10 anos, continuando durante a adolescência e mesmo após os 20 anos de idade.
O desenvolvimento do cérebro adolescente pode ser dividido em três processos:
-Proliferação: rápido crescimento da massa cerebral e formação de novas conexões no cérebro.
-Poda: eliminação de conexões não utilizadas e sem importância.
-Mielinização: isolamento dos circuitos cerebrais para deixá-los mais rápidos e mais estáveis.
Aos seis anos de idade, o cérebro já tem aproximadamente 95% de seu tamanho máximo. Mas a massa cinzenta, a parte do cérebro responsável pelo pensamento, continua a espessar durante a infância conforme os neurônios ganham novas conexões, à semelhança de uma árvore que forma novos galhos, ramos e raízes. Na parte frontal do cérebro, esse processo de espessamento atinge o ápice aos 11,5 anos para as meninas, e aos 14,5 anos para meninos (Lenroot & Giedd 2006). É a chamada segunda onda de superprodução de massa cinzenta, algo que se pensava acontecer apenas nos primeiros 18 meses de vida. Dr.Giedd afirmou em entrevista que “só puderam detectar essa segunda onda de superprodução quando começaram a acompanhar as mesmas crianças, escaneando seus cérebros em intervalos de dois anos”.
“A ocorrência dessa segunda onda de superprodução prepara o cérebro adolescente para os desafios de adentrar a próxima fase da vida, a idade adulta. É um momento de enorme potencial”. (Dr Giedd)
Na sequência, após a superprodução de massa cinzenta, o cérebro experimenta um processo chamado “poda”, no qual as conexões entre os neurônios do cérebro que não são utilizadas enfraquecem e desaparecem, enquanto as utilizadas permanecem – o que se chama de “use ou perca”. É a eliminação de conexões ineficientes ou ineficazes para atingir a máxima eficiência funcional. “Assim como Michelangelo, que partiu de um bloco de granito e foi eliminando pedaços de rocha até criar David, sua obra-prima, algumas conexões são fortalecidas e outras são eliminadas. Em resumo, as funções cerebrais são esculpidas para permitirem e revelarem a crescente maturação em ação e pensamento.” (The Adolescent Brain: a work in Progress, June 2005) [Em tradução livre, O Cérebro Adolescente: um trabalho em andamento, junho de 2005].
Complementando as informações acima, a “poda” sofre grande influência da experiência, o que torna o cérebro adolescente extremamente versátil e capaz de fazer mudanças de acordo com as exigências do ambiente.
A maturação cerebral inicia-se na parte de trás seguindo para a parte da frente, sendo que o atingimento do tamanho cerebral máximo não significa o atingimento da maturação cerebral máxima.
O córtex pré-frontal, uma subseção do lóbulo frontal, é frequentemente chamado de “CEO” ou de executivo do cérebro, e é responsável por habilidades como estabelecer prioridades, organizar planos e ideias, formar estratégias, controlar impulsos, direcionar a atenção. Ele vai ficando mais espesso ao longo da infância, conforme as células do cérebro formam incontáveis conexões com outras células cerebrais.
Estudos com ressonância magnética mostram claramente que o nível de massa cinzenta no lóbulo frontal não se estabiliza antes de cerca de 25 anos, e seu cabeamento e o de regiões relacionadas também ainda não se encontra plenamente mielinizado. Assim, os lóbulos frontal e temporal são os últimos a atingirem maturação.
Deborah Yurgelun- Todd e colegas do Centro de Imagem Cerebral do Hospital McLean em Boston, Massachusetts, vêm também utilizando ressonância magnética funcional para comparar a atividade de cérebros adultos à de cérebros adolescentes. Os pesquisadores descobriram que os adultos, quando processam emoções, apresentam mais atividade no lóbulo frontal (onde ocorre o pensamento racional voltado a objetivos) do que os de adolescentes. Os adultos também apresentam menos atividade na amígdala (parte do sistema límbico do cérebro, envolvida com reações instintivas e intuitivas) do que os adolescentes.
A atividade menos intensa no lóbulo frontal pode levar ao controle menos eficiente do comportamento e das emoções, enquanto a amígdala com atividade aumentada pode ser associada a altos níveis de excitação emocional e a tomadas de decisão reativas.
Assim, um adulto pode fazer uso de processos racionais quando enfrenta a tomada de decisões emocionais, enquanto os adolescentes ainda não estão adequadamente equipados para analisar as coisas da mesma maneira.
Esses conceitos sugerem que os adolescentes podem ser capazes de dar forma a alguns aspectos de seu próprio desenvolvimento neurológico. Eles podem exercer certo controle sobre como passam seu tempo, e podem assim influenciar o modo como seu cérebro é esculpido para a vida adulta. De acordo com o Dr. Giedd, “a atividade cerebral dos bebês é completamente determinada pelos pais, mas os adolescentes, de outra parte, podem efetivamente controlar como o cérebro será conectado e esculpido. As crianças que “exercitam” o cérebro, aprendendo a organizar o pensamento, são capazes de compreender conceitos abstratos e controlar impulsos, e estabelecem as bases neurais que os servirão por toda a vida”. Isso sugere que se façam muitas coisas na adolescência, afirma Giedd “Você faz o cabeamento elétrico do seu cérebro na adolescência. Você quer que ele esteja cabeado para praticar esportes, tocar músicas e estudar matemática, ou para ficar deitado no sofá em frente à televisão?”.
É também importante mencionar a relação entre o consumo de álcool e o desenvolvimento do cérebro adolescente. Pesquisas recentes sugerem que o consumo de álcool afetam adolescentes e adultos de maneira diferente, o que faz sentido em vista do que sabemos a respeito das mudanças que ocorrem no cérebro do adolescente.
Pesquisas de Brown realizadas em seres humanos forneceram as primeiras provas concretas de que o consumo prolongado e abusivo de álcool por parte de adolescentes pode prejudicar o funcionamento cerebral. As pesquisas de Brown em indivíduos de 15 e 16 anos mostraram danos cognitivos em adolescentes que abusam do álcool, comparado a outros indivíduos da mesma idade sem consumo abusivo, mesmo após semanas sem beber. Isso sugere que o abuso do álcool por parte de adolescentes pode ter efeitos negativos de longa duração na formação do seu cérebro.
É importante observar que o trabalho “The Adolescent Brain: A work in Progress” [Em tradução livre, O Cérebro Adolescente: um trabalho em andamento], desenvolvido pelos especialistas internacionais em desenvolvimento cerebral Drs. Daniel Weinberger, Jay Giedd e Brita Elvevag, tem o propósito de mostrar que o desenvolvimento neurológico é uma dimensão importante do desenvolvimento geral do adolescente e nos convidam a expandir nossa visão dos adolescentes.
Há consenso, entretanto, quanto a um aspecto fundamental: adolescentes não são adultos. Eles estão em vias de se tornarem adultos, mas ainda não chegaram lá. Seu desenvolvimento não estará completo antes de cerca de 25 anos, para fazerem julgamentos complexos, sopesar alternativas muito sutis de modo equilibrado e cuidadoso, controlar impulsos e ter visão de longo prazo. “Se as escolhas feitas pelos adolescentes em relação ao uso de drogas e álcool, e de se envolverem em tarefas de aprendizado que sejam desafiadoras têm consequências irreversíveis de longo prazo no desenvolvimento cerebral, é urgente que as escolhas nocivas sejam desencorajadas, e que outras mais saudáveis sejam encorajadas.” (Fatos e Achados de Pesquisas/ Desenvolvimento do Cérebro Adolescente, maio de 2002).
Esses achados sugerem que o melhor ambiente para os adolescentes é aquele em que haja um grau apropriado de estrutura e orientação, no qual existam oportunidades para crescimento e aprendizado, e que os adolescentes precisam estar cercados por adultos que se importam e se preocupam com eles.

Referência:
National Institute of Mental Health (2005) The Adolescent Brain: a work in progress. Available on line at www.thenationalcampaign.org/resources/pdf/BRAIN.pdf
Yurgelun-Todd Frontline interview “Inside the teen Brain” on PBS.org. Full interview available on the web at http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/teenbrain/interviews/todd.html
Act for Youth Upstate Center of Research. Facts and Findings. A collaboration of Cornel University, University of Rochester and the NYS Center for Scholl Safety ( May 2002) www.actforyouth.net/resources/rf/rf_brain_0502.pdf
Giedd, Inside the Teenage Brain. Full interview available on the web at: http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/teenbrain/interviews/giedd.html

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E agora, com quem ficam?

Venho observando na minha prática clínica, um número cada vez maior de filhos rejeitados, abandonados e excluídos. São filhos de casamentos desfeitos, de pais imaturos e despreparados para essa função e que, em algum momento de insatisfação no casamento, esqueceram-se do compromisso que haviam assumido ao colocar estas crianças no mundo. Casaram-se novamente, tiveram outros filhos e, transformaram em “estorvos” os filhos primeiros.
E os deixaram a deriva, sem a atenção devida, sem a educação devida....e essas crianças cresceram sem hábitos adequados, sem rotina, sem disciplina e sem valores básicos. Foram buscar nas ruas e no grupo de amigos o que nunca receberam - se é que sabem exatamente o que buscam - mas mostram-se totalmente perdidos, confusos e enfraquecidos frente a um mundo que exige cada vez mais.
Buscam refúgio nas drogas, com a ilusão de que terão algum prazer, mesmo que momentâneo e ilusório. Têm dificuldades para estudar, para se apresentar aos amigos, para se comportar frente aos adultos e sentem-se envergonhados, feios, com a auto estima rebaixada. Não sabem como agir frente aos eventuais “paqueras”, fogem de situações que acreditam ameaçadoras, se isolam nos virtuais da vida .
Como será o futuro destas crianças? Já encontramos por aí os “mortos vivos”, caídos pelas ruas, consumindo crack e outras drogas pesadas. Ou com suas máquinas velozes - presenteadas pelos pais poderosos e culpados - embriagados e matando pessoas inocentes. Estas crianças, se conseguirem sobreviver, também terão filhos, ainda mais comprometidos.
Temos o dever de tentar interromper esse ciclo destrutivo. Devemos tentar conscientizar as pessoas quanto às obrigações que nos são impostas. Temos que começar a respeitar as leis, as regras e os compromissos morais perante a vida. Há a necessidade interior do espírito, uma avaliação crítica da nossa existência..... e esse é um trabalho muito lento, mas, possível, desde que haja colaboração de cada um de nós.
Devemos procurar cuidar das nossas crianças com muito amor, pois elas necessitam de fato de cuidados, proteção, carinho e orientação. Não podem ficar jogadas pelo mundo sem qualquer tipo de atenção. Só desta forma é que teremos adultos responsáveis, assertivos e felizes para um mundo melhor.

Primavera 2012

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